quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Rachel Getting Married (O Casamento de Rachel - EUA, 2008)

Jonathan Denme apresenta a história de uma garota que recebe uma
licença da clínica de reabilitação em que se encontra para participar
do casamento de sua irmã. Contudo, ela encontra dificuldades em se
relacionar com seus parentes após o tempo em que ficou longe deles.
Bem, creio que não preciso dizer o tema do filme, certo? Sim, são os
relacionamentos familiares. O detalhe que mais procurei em todos os
filmes que seguem essa temática era a autenticidade dos personagens
como uma unidade familiar. E este filme é bem-sucedido neste quesito,
mostrando conflitos e relações características e intensas. E os
detalhes singulares que compõem a cerimônia de casamento do título e a
atuação de Anne Hathaway como uma ex-drogada, papel diferente dos que
são associados à imagem dela, são outros atrativos do filme.

Nota: 8

Sanma No Aji (A Rotina Tem Seu Encanto - Japão, 1962)

"Sessão Ozu: parte 2". O filme retrata a história de um senhor viúvo
que vive sob os cuidados de sua filha. Não desejando ser um fardo para
ela, ele decide procurar um pretendente para ser seu genro. Mais uma
vez, o tema é o relacionamento familiar (o que não deve ser
coincidência, embora isso não tivesse sido planejado). Uma das
características marcantes nos dois filmes vistos é a fotografia
peculiar, em que, nos diálogos, a câmera assume a posição do
interlocutor do personagem que tem a palavra, de modo que ele parece
se dirigir ao espectador. Outra característica interessante é o pano
de fundo do Japão pós-guerra, em que há fortes sinais da penetração da
cultura ocidental no dia-a-dia dos personagens. Este filme tem um tom
ainda mais cômico que o anterior e continua investindo na valorização
da vida e das relações familiares.

Nota: 8

Kohayagawa Ke No Aki (Fim de Verão - Japão, 1961)

Com um dos filmes indicados por Wim Wenders para a Mostra, chegou o
momento de conhecer uma parte da obra de um dos mestres do cinema
japonês, Yasujiro Ozu. Analisar filmes antigos é complicado, devido a
fatores como a diferença na linguagem cinematográfica, o contexto
histórico e, principalmente, talvez, a questão de inovação, já que seu
efeito se perde enormemente com o passar do tempo. Contudo, o filme se
mostrou para mim bastante interessante. É contada a história de uma
numerosa família, com destaque para as relações amorosas de seus
membros. Foi inevitável sentir um clima de nostalgia com a maneira com
que os personagens se relacionam, montando uma história que busca
realizar uma celebração da vida. Mais impressões sobre o trabalho de
Ozu na postagem seguinte.

Nota: 9