quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Er Shi Si Cheng Ji (24 City - China, 2008)

Antes do longa de Jia Zhang-Ke é apresentado o curta "Cry Me a River",
do mesmo diretor, que mostra uma reunião de antigos colegas de escola
durante o aniversário de seu ex-professor. É uma história interessante
que reflete sobre a passagem do tempo e as transformações que ela
acarreta. Já o filme em si conta as histórias de alguns personagens
que viveram/trabalharam em um antigo complexo industrial militar que
está sendo desativado para a construção de um moderno conjunto
residencial. O filme segue a linha de um documentário e durante toda a
sessão fiquei na dúvida se os personagens eram reais ou não. O motivo
disso é que as histórias e a maneira com que eram narradas são todas
sensacionais, de modo que um aspecto fictício parecia estar contido
nelas (o que foi confirmado posteriormente). De qualquer maneira, o
trabalho que o diretor realiza ao mergulhar fundo nas almas dos
esforçados e castigados operários é impressionante.

Nota: 9

A Erva do Rato (Brasil, 2008)

Inspirado livremente nos contos "A Causa Secreta" e "Um Esqueleto", de
Machado de Assis, o filme do diretor Julio Bressane narra a história
de um casal que se conhece em um cemitério e desenvolve um exótico
relacionamento amoroso. A linguagem do filme é bastante surreal e os
acontecimentos da história podem gerar mais do que uma única
interpretação (se eu tivesse lido os contos talvez minhas impressões
fossem diferentes). Para mim, o filme trata justamente sobre ratos,
uma peste que surge nos mais diversos locais e que causa estragos se
aproveitando do que está ao seu redor.

Nota: 7

De Ofrivilliga (Sem Querer - Suécia, 2008)

O filme de Ruben Östlund ilustra bem o título "internacional" aplicado
à Mostra: falado em sueco, legendado em francês e com legendas
eletrônicas em português. A história é dividida em vários relatos
paralelos abordando adolescentes e adultos em situações moralmente
questionáveis. O objetivo do filme é mostrar que aspectos como
alienação e irresponsabilidade, normalmente relacionados à juventude,
não são privilégios desta fase da vida. Aliás, uma pessoa acreditar
que está livre de incorreções por ser adulta é um forte sintoma de que
realmente não merece confiança.

Nota: 7