sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Balanço

Foram 29 filmes assistidos em 10 dias. Houve alguns trabalhos
interessantes, outros nem tanto. A média das notas foi de 7,14, o que
pode ser traduzida como uma boa avaliação. Deixando os números de
lado, creio que o resultado foi positivo. Alguns excelentes filmes
compensaram a qualidade de outros não muito interessantes. "The
Photograph", no primeiro dia, foi uma surpresa vinda da Indonésia, com
a sensibilidade metafórica de Nan Triveni Achnas. "Fim de Verão" foi a
oportunidade de conhecer o trabalho do mestre Yasukiro Ozu e seu
comovente retrato familiar oriental. "24 City", de Jia Zhang-Ke, é
mais uma obra que resgata o aspecto humano e social na China em
desenvolvimento acelerado. "Be Kind, Rewind", a homenagem à Sétima
Arte de Michael Gondry, talvez tenha ganhado uma nota maior do que
merecia. Mas o fato é que a cena final mexeu bastante comigo. "O
Silêncio de Lorna" é a quietude dolosa dos irmãos Dardenne, com uma
história incrível. "Hanami", de Doris Dörrie, é um brilhante
representante da sensibilidade e poesia romântica (e ofuscou
consideravelmente "A Floresta dos Lamentos", que talvez merecesse uma
nota maior). Provavelmente ele seria meu filme favorito da Mostra, se
não fossem Wong Kar-Wai e seu "Cinzas do Passado Redux", elevando a
poesia cinematográfica a um nível que chega a ser covardia com os
demais. Agora, é esperar os vencedores do festival...

Vicky Cristina Barcelona (Espanha/EUA, 2008)

O último filme pertence a Woody Allen, que conta a história de duas
amigas estadunienses que resolvem passar um tempo em Barcelona. Lá
elas conhecem um pintor que as convida para acompanhá-lo em uma viagem
à sua cidade natal durante um fim de semana, o que acaba mudando suas
vidas. Allen retorna à comédia em uma história que trata da incerteza
sobre o futuro, sobre como aquilo que se deseja freqüentemente não sai
como o planejado e como muitas das coisas que se quer não são o que
parecem. Se a passagem do diretor pela Inglaterra durante sua
"excursão" européia trouxe frutos interessantes, sua parada na Espanha
não foi tão bem-sucedida. O filme tem algumas sacadas bastante
interessantes, mas, de modo geral, não satisfaz completamente.

Nota: 6

Dongxie Xidu (Cinzas do Passado Redux - China, 2008)

Um filme de um dos meus diretores favoritos, Wong Kar-Wai, não é nada
menos que obrigatório de se ver. Apesar de ser uma versão retrabalhada
de uma obra lançada em 1994, não havia sequer ouvido falar sobre ela,
o que atraiu ainda mais o meu interesse. É apresentada a história de
um homem que vive sozinho no meio de um deserto e é conhecido por
resolver qualquer problema. Em geral, seus clientes buscam seu serviço
de intermediário na contratação de assassinos de aluguel. Eu
desconhecia o fato de que o diretor havia filmado um trabalho como
este, de tom épico em meio a um cenário de imensidão desértica e
combates entre espadachins. E o mais gratificante é que ele mantém seu
estilo poético de contar histórias e o expande na representação visual
que o tom épico do filme permite, proporcionando uma beleza estética
primorosa. O roteiro é dividido em algumas histórias entrelaçadas cujo
principal tema são as relações amorosas, seus encontros, desencontros
e reencontros, seus paradoxos e sua passionalidade irracional. A
temática característica de Wong Kar-Wai.

Nota: 10

Plus Tard (Mais Tarde Você Entenderá - França, 2007)

Último dia, grandes expectativas. O primeiro filme é a obra de Amos
Gitai que tem como protagonista um homem que busca obsessivamente
resgatar a história de seus avós, mortos em um campo de concentração
durante a Segunda Guerra Mundial. O filme apresenta um personagem que
sente a necessidade de conhecer sua origem, sua história, enfim, a
verdade por trás de suas raízes, por mais desagradável que possa ser.
Momentos mostrados que revisitam a perseguição religiosa por parte dos
nazistas e os sacrifícios realizados para sobreviver a ela são
marcantes.

Nota: 7