Curiosa a sensação quando vi os premiados. Não assisti a nenhum dos filmes, com exceção de um. Teria escolhido mal as sessões? Quem sabe... A minha seleção foi baseado em alguns critérios: primeiro, se eu apreciava o trabalho do diretor. Segundo, se havia recomendações da crítica. Terceiro, se a sinopse mostrava um tema que me atraía. Quarto, o que encaixava nos horários restantes. Mas esse difícil processo de seleção faz parte da graça da Mostra.
O único filme premiado que vi foi "Aquele Querido Mês de Agosto", de Miguel Gomes, que recebeu o prêmio da crítica. Minha nota não foi muito alta e acho que posso ter sido mesmo injusto. A mistura de ficção e documentário faz dele um projeto bastante original e há uma ironia presente em algumas cenas que é ótima. Por outro lado, continuo afirmando que a história contada (e a maioria das canções tocadas) é bem chata. Outro fato relevante é que fui influenciado por algo que não pode ser ignorado: a sessão em que vi o filme foi a pior em termos de conforto ergonômico. A presença constante de dores corporais prejudica (e muito) a atenção. Fora um vizinho de poltrona que falava durante o filme e ria bem alto... Parece piada, mas tudo isso ocorreu de fato.
Bem, talvez esse seja o momento de dizer que começou a contagem regressiva para a próxima Mostra. Mas não vou fazer isso por um motivo simples: não é verdade. Assistir a três filmes por dia durante duas semanas foi extremamente desgastante. Em parte por causa de várias poltronas apertadas e sessões lotadas, o que limita o espaço necessário para manter o conforto adequado. Mas, mais importante, ver tantos filmes em seqüência acaba por meio que banalizar o interesse cinematográfico em si. Cinema, para mim, é um prato que deve ser saboreado devagar e aos poucos, desde o aroma inspirado quando ele é servido ao gostinho que permanece na boca algum tempo depois da última garfada. Bilheteria, entrada na sala, trailers, filme, reflexão pós-filme... É um ritual que gosto de cumprir. A Mostra é o equivalente a comer o mesmo prato ou assistir a futebol todos os dias. Eu, pelo menos, não apreciaria. Apesar disso, repetir a experiência não é algo que descarto totalmente. Afinal, um rodízio de vez em quando é ótimo...
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Balanço
Foram 29 filmes assistidos em 10 dias. Houve alguns trabalhos
interessantes, outros nem tanto. A média das notas foi de 7,14, o que
pode ser traduzida como uma boa avaliação. Deixando os números de
lado, creio que o resultado foi positivo. Alguns excelentes filmes
compensaram a qualidade de outros não muito interessantes. "The
Photograph", no primeiro dia, foi uma surpresa vinda da Indonésia, com
a sensibilidade metafórica de Nan Triveni Achnas. "Fim de Verão" foi a
oportunidade de conhecer o trabalho do mestre Yasukiro Ozu e seu
comovente retrato familiar oriental. "24 City", de Jia Zhang-Ke, é
mais uma obra que resgata o aspecto humano e social na China em
desenvolvimento acelerado. "Be Kind, Rewind", a homenagem à Sétima
Arte de Michael Gondry, talvez tenha ganhado uma nota maior do que
merecia. Mas o fato é que a cena final mexeu bastante comigo. "O
Silêncio de Lorna" é a quietude dolosa dos irmãos Dardenne, com uma
história incrível. "Hanami", de Doris Dörrie, é um brilhante
representante da sensibilidade e poesia romântica (e ofuscou
consideravelmente "A Floresta dos Lamentos", que talvez merecesse uma
nota maior). Provavelmente ele seria meu filme favorito da Mostra, se
não fossem Wong Kar-Wai e seu "Cinzas do Passado Redux", elevando a
poesia cinematográfica a um nível que chega a ser covardia com os
demais. Agora, é esperar os vencedores do festival...
interessantes, outros nem tanto. A média das notas foi de 7,14, o que
pode ser traduzida como uma boa avaliação. Deixando os números de
lado, creio que o resultado foi positivo. Alguns excelentes filmes
compensaram a qualidade de outros não muito interessantes. "The
Photograph", no primeiro dia, foi uma surpresa vinda da Indonésia, com
a sensibilidade metafórica de Nan Triveni Achnas. "Fim de Verão" foi a
oportunidade de conhecer o trabalho do mestre Yasukiro Ozu e seu
comovente retrato familiar oriental. "24 City", de Jia Zhang-Ke, é
mais uma obra que resgata o aspecto humano e social na China em
desenvolvimento acelerado. "Be Kind, Rewind", a homenagem à Sétima
Arte de Michael Gondry, talvez tenha ganhado uma nota maior do que
merecia. Mas o fato é que a cena final mexeu bastante comigo. "O
Silêncio de Lorna" é a quietude dolosa dos irmãos Dardenne, com uma
história incrível. "Hanami", de Doris Dörrie, é um brilhante
representante da sensibilidade e poesia romântica (e ofuscou
consideravelmente "A Floresta dos Lamentos", que talvez merecesse uma
nota maior). Provavelmente ele seria meu filme favorito da Mostra, se
não fossem Wong Kar-Wai e seu "Cinzas do Passado Redux", elevando a
poesia cinematográfica a um nível que chega a ser covardia com os
demais. Agora, é esperar os vencedores do festival...
Vicky Cristina Barcelona (Espanha/EUA, 2008)
O último filme pertence a Woody Allen, que conta a história de duas
amigas estadunienses que resolvem passar um tempo em Barcelona. Lá
elas conhecem um pintor que as convida para acompanhá-lo em uma viagem
à sua cidade natal durante um fim de semana, o que acaba mudando suas
vidas. Allen retorna à comédia em uma história que trata da incerteza
sobre o futuro, sobre como aquilo que se deseja freqüentemente não sai
como o planejado e como muitas das coisas que se quer não são o que
parecem. Se a passagem do diretor pela Inglaterra durante sua
"excursão" européia trouxe frutos interessantes, sua parada na Espanha
não foi tão bem-sucedida. O filme tem algumas sacadas bastante
interessantes, mas, de modo geral, não satisfaz completamente.
amigas estadunienses que resolvem passar um tempo em Barcelona. Lá
elas conhecem um pintor que as convida para acompanhá-lo em uma viagem
à sua cidade natal durante um fim de semana, o que acaba mudando suas
vidas. Allen retorna à comédia em uma história que trata da incerteza
sobre o futuro, sobre como aquilo que se deseja freqüentemente não sai
como o planejado e como muitas das coisas que se quer não são o que
parecem. Se a passagem do diretor pela Inglaterra durante sua
"excursão" européia trouxe frutos interessantes, sua parada na Espanha
não foi tão bem-sucedida. O filme tem algumas sacadas bastante
interessantes, mas, de modo geral, não satisfaz completamente.
Nota: 6
Dongxie Xidu (Cinzas do Passado Redux - China, 2008)
Um filme de um dos meus diretores favoritos, Wong Kar-Wai, não é nada
menos que obrigatório de se ver. Apesar de ser uma versão retrabalhada
de uma obra lançada em 1994, não havia sequer ouvido falar sobre ela,
o que atraiu ainda mais o meu interesse. É apresentada a história de
um homem que vive sozinho no meio de um deserto e é conhecido por
resolver qualquer problema. Em geral, seus clientes buscam seu serviço
de intermediário na contratação de assassinos de aluguel. Eu
desconhecia o fato de que o diretor havia filmado um trabalho como
este, de tom épico em meio a um cenário de imensidão desértica e
combates entre espadachins. E o mais gratificante é que ele mantém seu
estilo poético de contar histórias e o expande na representação visual
que o tom épico do filme permite, proporcionando uma beleza estética
primorosa. O roteiro é dividido em algumas histórias entrelaçadas cujo
principal tema são as relações amorosas, seus encontros, desencontros
e reencontros, seus paradoxos e sua passionalidade irracional. A
temática característica de Wong Kar-Wai.
menos que obrigatório de se ver. Apesar de ser uma versão retrabalhada
de uma obra lançada em 1994, não havia sequer ouvido falar sobre ela,
o que atraiu ainda mais o meu interesse. É apresentada a história de
um homem que vive sozinho no meio de um deserto e é conhecido por
resolver qualquer problema. Em geral, seus clientes buscam seu serviço
de intermediário na contratação de assassinos de aluguel. Eu
desconhecia o fato de que o diretor havia filmado um trabalho como
este, de tom épico em meio a um cenário de imensidão desértica e
combates entre espadachins. E o mais gratificante é que ele mantém seu
estilo poético de contar histórias e o expande na representação visual
que o tom épico do filme permite, proporcionando uma beleza estética
primorosa. O roteiro é dividido em algumas histórias entrelaçadas cujo
principal tema são as relações amorosas, seus encontros, desencontros
e reencontros, seus paradoxos e sua passionalidade irracional. A
temática característica de Wong Kar-Wai.
Nota: 10
Plus Tard (Mais Tarde Você Entenderá - França, 2007)
Último dia, grandes expectativas. O primeiro filme é a obra de Amos
Gitai que tem como protagonista um homem que busca obsessivamente
resgatar a história de seus avós, mortos em um campo de concentração
durante a Segunda Guerra Mundial. O filme apresenta um personagem que
sente a necessidade de conhecer sua origem, sua história, enfim, a
verdade por trás de suas raízes, por mais desagradável que possa ser.
Momentos mostrados que revisitam a perseguição religiosa por parte dos
nazistas e os sacrifícios realizados para sobreviver a ela são
marcantes.
Gitai que tem como protagonista um homem que busca obsessivamente
resgatar a história de seus avós, mortos em um campo de concentração
durante a Segunda Guerra Mundial. O filme apresenta um personagem que
sente a necessidade de conhecer sua origem, sua história, enfim, a
verdade por trás de suas raízes, por mais desagradável que possa ser.
Momentos mostrados que revisitam a perseguição religiosa por parte dos
nazistas e os sacrifícios realizados para sobreviver a ela são
marcantes.
Nota: 7
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Steak (França, 2007)
O filme de Quentin Dupiex apresenta a história de um garoto que é
injustamente detido por assassinato e é internado em uma clínica
psiquiátrica. Sete anos depois, ele é liberado e tem que encarar o
mundo de que ficou tanto tempo afastado. O filme é uma comédia
totalmente escrachada que satiriza alguns aspectos sociais do mundo
contemporâneo. Destaque para o clichê da busca pela popularidade no
universo universitário, que inclui as "gangues" de rapazes e o culto
exagerado à beleza estética. A história é recheada de um humor
totalmente "nonsense", o que proporciona alguma dose de diversão.
injustamente detido por assassinato e é internado em uma clínica
psiquiátrica. Sete anos depois, ele é liberado e tem que encarar o
mundo de que ficou tanto tempo afastado. O filme é uma comédia
totalmente escrachada que satiriza alguns aspectos sociais do mundo
contemporâneo. Destaque para o clichê da busca pela popularidade no
universo universitário, que inclui as "gangues" de rapazes e o culto
exagerado à beleza estética. A história é recheada de um humor
totalmente "nonsense", o que proporciona alguma dose de diversão.
Nota: 6
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