quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Considerações finais (antes tarde do que nunca...)

Curiosa a sensação quando vi os premiados. Não assisti a nenhum dos filmes, com exceção de um. Teria escolhido mal as sessões? Quem sabe... A minha seleção foi baseado em alguns critérios: primeiro, se eu apreciava o trabalho do diretor. Segundo, se havia recomendações da crítica. Terceiro, se a sinopse mostrava um tema que me atraía. Quarto, o que encaixava nos horários restantes. Mas esse difícil processo de seleção faz parte da graça da Mostra.

O único filme premiado que vi foi "Aquele Querido Mês de Agosto", de Miguel Gomes, que recebeu o prêmio da crítica. Minha nota não foi muito alta e acho que posso ter sido mesmo injusto. A mistura de ficção e documentário faz dele um projeto bastante original e há uma ironia presente em algumas cenas que é ótima. Por outro lado, continuo afirmando que a história contada (e a maioria das canções tocadas) é bem chata. Outro fato relevante é que fui influenciado por algo que não pode ser ignorado: a sessão em que vi o filme foi a pior em termos de conforto ergonômico. A presença constante de dores corporais prejudica (e muito) a atenção. Fora um vizinho de poltrona que falava durante o filme e ria bem alto... Parece piada, mas tudo isso ocorreu de fato.

Bem, talvez esse seja o momento de dizer que começou a contagem regressiva para a próxima Mostra. Mas não vou fazer isso por um motivo simples: não é verdade. Assistir a três filmes por dia durante duas semanas foi extremamente desgastante. Em parte por causa de várias poltronas apertadas e sessões lotadas, o que limita o espaço necessário para manter o conforto adequado. Mas, mais importante, ver tantos filmes em seqüência acaba por meio que banalizar o interesse cinematográfico em si. Cinema, para mim, é um prato que deve ser saboreado devagar e aos poucos, desde o aroma inspirado quando ele é servido ao gostinho que permanece na boca algum tempo depois da última garfada. Bilheteria, entrada na sala, trailers, filme, reflexão pós-filme... É um ritual que gosto de cumprir. A Mostra é o equivalente a comer o mesmo prato ou assistir a futebol todos os dias. Eu, pelo menos, não apreciaria. Apesar disso, repetir a experiência não é algo que descarto totalmente. Afinal, um rodízio de vez em quando é ótimo...

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